John M. Sydenstricker Jr.

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Escrito por Daniel Faria Jr.
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Uma vida, uma história, muitas lições…
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Timóteo 4.7-8)

Se você conheceu John, você conheceu um homem de Deus. E, ao conviver com ele nos poucos anos que tivemos juntos, algumas palavras características de sua vida marcaram e continuam a marcar minha vida.

johnPalavras geralmente são complicadas, pois, ao mesmo tempo em que descrevem, também limitam. Descrevem o que há dentro de nós, mas limitam a extensão de seu significado. Descrevem memórias, mas limitam seu impacto em nossas vidas. Descrevem lembranças, mas limitam o quão importantes são. John foi uma dessas pessoas em que as palavras podem descrever lembranças da convivência com ele, mas que limitam o profundo significado que tiveram.
A primeira delas é simplicidade. Em tudo o que fazia, parecia ter um modo simples de encarar o que lhe cercava. Falava o necessário. As palavras que saíam de sua boca pareciam ter um significado especial. Lembro-me de um encontro comunitário que tivemos em que ele fez uma simples oração, mas que conhecendo sua dor e sofrimento ao lidar com o câncer, sabíamos o quanto significava: “Deus, obrigado por mais um dia de vida”. Poucas palavras, mas tão intensas. Tão profundas. Tão vivas.
Ligada a esta palavra, outra o acompanhava: humildade. John sabia que era falho. Sabia que era pequeno. E cada vez que falava e apontava isso, em meu coração ele se tornava maior. Por quê? Porque dependia de Deus. Não queria glória, mérito, honra, reconhecimento ou status. Tudo aquilo que o mundo busca parecia não importar para John. A consciência de quem era e do quanto precisava de Deus o fazia ainda mais especial e singular. Pouco antes de morrer, resistiu até onde pôde para receber o titulo de presbítero emérito. Ele não se importava com títulos. Ou melhor, parecia querer distância deles. E isso porque queria o que o céu lhe reservava e não o que mundo lhe oferecia.
A terceira palavra é acolhimento. No que podia, era atencioso e receptivo. Foi a primeira pessoa que me recebeu antes de chegar à comunidade em Barão Geraldo. Juntamente com sua esposa Renée, foi a primeira pessoa que acolheu minha esposa e eu em sua casa. Caminhava conosco. Mandava emails. Ligava. Preocupava-se. Em suas críticas e sugestões, fazia com grande amor. Recordo-me dos diversos almoços em que fazia questão de pagar e não permitia de jeito nenhum que eu tomasse qualquer iniciativa. E ficava bravo se eu o fazia. Se você o conheceu, sabe do que estou falando. Queria visitar pessoas, mesmo sendo ele alguém que precisava de visita. Se havia doentes, queria estar com eles, mesmo quando seu quadro era pior que muitos destes que visitava.
E isso me leva a mais uma palavra: vitalidade. John era mais vivo do que muitos de nós que temos mais saúde. Fazia muito mais para obra de Deus do que muitos que estão sãos fisicamente. Eu olhava para John e a palavra energia me vinha a mente. Ele me motivava a dar mais de minha vida para Deus. E ainda me motiva. Lembro-me de certa vez em que combinávamos de ir ao Centro Médico visitar um grande amigo seu, doente, e ele tentou até onde pôde estar presente lá, mas a sua saúde não o permitiu naquele sábado. Procurou superar seus limites, ajudando pessoas. Dedicou-se em prol de outras vidas.
Dentro disso, uma última palavra o acompanhava: missão. Parecia que em toda conversa que tínhamos, John estava voltado para alcançar pessoas. Preocupava-se com as almas perdidas. Ansiava por pessoas afastadas de Deus retornando para a comunidade cristã. Pensava em projetos para fazer isso. Quando partilhei com ele um dos meus sonhos, na mesma semana ele me ligou após verificar alguns passos sobre como seria possível concretizá-lo. Se era algo que envolvia almas perdidas, queria ajudar como podia.
Uma vida, uma história, muitas lições. Muitas palavras de grande valor que marcaram sua vida. E a de todos aqueles que conviveram com ele. Talvez você tenha outras palavras a acrescentar. Para mim, foram apenas três anos e alguns meses. Mas John me marcou mais do que muitas pessoas que convivi muito mais tempo. Talvez o mesmo tenha acontecido com você. Um exemplo numa geração egoísta e sem compromisso sério com Deus. Certamente, deixará saudades.
Que as lições vistas em John possam ser levadas por cada um de nós. Enquanto eles estiverem vivas em nossa mente e coração, sua vida continuará viva dentro de nós e honraremos o que ele nos ensinou, dando toda glória ao nosso Senhor Jesus Cristo por isso. Agora, ele está junto do Pai. Sem câncer. Sem dor. Sem sofrimento. Na glória do Todo-Poderoso. Não é o fim. Apenas o começo…

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