Termo de Responsabilidade

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por Fabrício Valadão Batistoni

“com a tua boca, confessas que Jesus é Senhor e se, em teu coração, crês que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Com efeito, crer no próprio coração conduz à justiça, e confessar com a própria boca conduz à salvação” Romanos 10:9-10 (TEB)

Este fato ocorreu em um de meus plantões de fim de semana numa Policlínica da cidade de Juiz de Fora. Um jovem com seus 17 anos entra pelas portas do pronto atendimento bastante desorientado, trazido por um homem de cabelos grisalhos. O homem nos conta que o encontrara minutos antes caído de sua bicicleta e com a cabeça ferida nas pedras do calçamento da rua.

Examinamos o rapaz e não encontramos evidências de fraturas cranianas, porém seu estado mental não estava normal. Ele estava confuso, sua fala era arrastada, suas feições estavam como que congeladas. Solicitamos, então, que ele fizesse uma radiografia de crânio para avaliar a possibilidade de alguma fissura craniana que pudesse explicar a sintomatologia.

Os exames foram inconclusivos. Nenhuma fissura, nenhuma rachadura, não havia sinais de lesão da coluna cervical ou dos ossos da cabeça. O rapaz, porém, mantinha a mesma clínica.

Decidimos, então, deixá-lo em observação e acompanhar a evolução do caso. Se a evolução fosse para melhor, ficaríamos com o diagnóstico apenas de uma concussão cerebral, que é um quadro leve, e o rapaz poderia ser mandado de volta ao seu domicílio apenas com orientações gerais. Se o quadro piorasse, já estávamos preparados para levá-lo ao Pronto Socorro Municipal, onde os recursos propedêuticos seriam mais adequados.

Aconteceu, porém, que ao passar umas 3 horas da chegada do rapaz ele começou a agitar-se. Queria de qualquer maneira ir para casa. Conversamos com ele a respeito da sua situação e do risco que ele corria em sair naquele estado. Ele, contudo, manteve-se irredutível.

Ora, nestes casos, a legislação brasileira não nos permite deter uma pessoa em um hospital contra sua vontade. Redigimos, então, um termo de responsabilidade, no qual o rapaz se responsabilizaria inteiramente por seus atos, apesar de estar plenamente ciente dos riscos de seu ato. Como o rapaz era menor de idade, tivemos que registrar uma ocorrência policial, apenas para constar na ficha de atendimento dele que algum responsável (no caso, a polícia) havia sido comunicada. Assinado o termo o rapaz pegou sua bicicleta e se foi.

Para Deus as coisas acontecem de forma análoga. As pessoas sabem que precisam de Deus. Admitem isto e de certa forma até buscam satisfazer esta condição. Uma amiga minha disse-me certa vez durante uma viagem: “Como eu gostaria de crer em alguma coisa! Mas eu não consigo. Não consigo acreditar que algo transcenda este mundo material”. A espiritualidade da moda hoje reside, sem dúvida, na valorização dos valores moralmente corretos, a justiça social, a honestidade e, sobretudo, a paz. Não discuto a importância destes valores para nossa sociedade. Ninguém admite viver em uma sociedade onde as drogas, o crime organizado, a falácia das autoridades e sua corrupção são regra, e não exceção. Ninguém nega, contudo, que a falta de Deus no coração do povo faz com que esta situação piore de forma crescente.

“Como dizem as Escrituras Sagradas: “Não há uma só pessoa que faça o que é certo;  não há ninguém que tenha juízo; não há ninguém que adore a Deus. Todos se desviaram do caminho certo, todos se perderam. Não há mais ninguém que faça o bem, não há ninguém mesmo.[1] Ao tentar responder ao questionamento de minha querida amiga não pude escapar deste texto. Todos se desviaram. É como se toda criação fosse portadora de um mortífero gene que, cedo ou tarde, acabariam dando cabo de suas vidas. Há uma profunda sede de resposta, uma carência por algo que solucione a questão.

É muito fácil entender a graça de Deus, porém muito difícil aceitá-la. É muito bom saber que Deus me ama, porém é humilhante aceitar que nenhum de meus esforços é capaz de parear este amor. E ainda mais, que se eu quiser provar deste amor, eu preciso aceitar a condição de pecador, e a solução de Deus para isto: JESUS. Não é a igreja ou a sociedade que diz que somos pecadores e precisamos de Jesus. É a Bíblia que diz isto: “todos pecaram, estão privados da glória de Deus”[2] “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus.”[3]

Quando as pessoas não agem desta forma, elas assinam um termo de responsabilidade diante de Deus. É como se dissessem: “Sim, eu sei que a Bíblia fala assim a meu respeito, sei de tudo isto, mas eu não quero isto para minha vida. Não acredito que isto seja bom para mim. Estou certo que não preciso disto. Quero continuar da forma como estou e assumo as conseqüências.” E nem imaginam que, fazendo isto, estão dizendo que a Bíblia não é a Verdade. “Aquele que crê no Filho de Deus tem esse testemunho no seu próprio coração. Mas quem não acredita em Deus faz de Deus um mentiroso, porque não acredita no testemunho que Deus deu a respeito do seu Filho.”[4]

Não há como fugir da Verdade. O homem pode tentar justificar-se por atos de justiça, mas cada vez que faz isto, ele se compromete mais. Tal como aquele rapaz que se responsabilizou por sua situação, não obstante estar ciente de todas as conseqüências, assim é a pessoa que tenta por seus próprios atos de justiça alcançar a Deus. É uma tolice consciente. Uma ignorância.

Certo jornalista ao ser perguntado sobre o que era ‘ser ignorante’ respondeu: ‘ignorante é aquele que ignora’. Portanto, qualquer de nós pode se ignorante. A situação só muda quando deixamos de ignorar a Verdade em nossa mente e coração!

Ele diz que somos pecadores. “O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte. Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram”[5]

Ele diz que o nosso pecado nos afasta dEle e nos traz condenação. “Pois são os pecados de vocês que os separam do seu Deus, são as suas maldades que fazem com que ele se esconda de vocês e não atenda as suas orações.”[6] “todos pecaram, estão privados da glória de Deus[7]

    – Sim, Senhor, eu sou pecador. Estou separado de Ti.

Ele diz que nos ama, e quer mudar esta situação. “Deus, com efeito, amou tanto o mundo que deu o seu Filho, o seu único, para que todo homem que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”[8] “De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.”[9]

É preciso receber este amor de Deus incondicionalmente. “Mas aos que o receberam, aos que crêem em seu nome, ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus. Esses não nasceram  do sangue , nem de um querer de carne , nem de um querer de homem, mas de Deus.”[10] “Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu que, se creres, verás a glória  de Deus?”[11]

   – Sim, Senhor, eu quero receber o Teu amor. Nenhuma atitude minha pode me tornar digno, por isto eu me deixo atrair pelo Teu amor. Estou disposto a reconhecer que só a Tua provisão para mim pode me satisfazer, e esta provisão é JESUS, o Teu Filho.

Deus está pronto a atender nossas necessidades. Ele quer reconciliar-nos consigo mesmo. É um presente que Ele se propôs a nos dar. Pelo que somos e apesar do que somos. A Graça escandalosa de Deus diz que Ele nos ama não obstante todas as nossas atitudes para ignorá-Lo.

Se eu estivesse no lugar daquele rapaz lá na Policlínica, eu ficaria em observação o tempo necessário, só para garantir que alguém que entendido do assunto estaria cuidando de mim.

Por que será que tanta gente insiste em achar que é mais entendido em assuntos espirituais do que o próprio Deus!?

 


[1] Romanos 3:10-12 (ERAB)

[2] Romanos 3:23 (TEB)

[3] Efésios 2:8  (BLH)

[4] 1 João 5:10 (BLH)

[5] Romanos 5:12  (BLH)

[6] Isaías 59:2 (BLH)

[7] Romanos 3:23 (TEB)

[8] João 3:16 (TEB)

[9] Jeremias 31:3  (ERAB)

[10] João 1:12-13 (TEB)

[11] João 11:40  (ERAB)

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