Azazel

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por Paulo Henrique Hack de Jesus

Texto base: Levíticos 16:5-10, 20-22

Em Levíticos 16 estão descritas as especificações do Dia da Expiação, uma cerimônia anual, sagrada, dada por Deus à Israel para purificação dos pecados de todo o povo que se dava 6 meses após a celebração da Páscoa. O ritual tinha início com o ajuntamento de toda a congregação e da purificação de Arão (do sumo-sacerdote vigente) e seus filhos, para que estes pudessem fazer o mesmo pelo restante do povo. Neste ato, um novilho era sacrificado como oferta pelo pecado dos sacerdotes e o sumo-sacerdote deveria se banhar e vestir roupas sagradas de linho. Só então o sumo-sacerdote poderia dar continuidade e fazer a propiciação pelo pecado de todos.

Uma vez que os sacerdotes estejam purificados, a comunidade deveria dar dois bodes, que eram apresentados à Deus e um deles era escolhido (provavelmente usando Urim e Tumim) para ser a oferta pelo pecado (cujo sangue seria aspergido sobre a arca da aliança e sobre o altar), para Deus, e o outro deveria ser “enviado para Azazel no deserto”, guiado até certo ponto por um homem de Israel (que deveria tomar banho e lavar suas roupas logo antes de retornar ao acampamento) e eventualmente morreria. Este bode é colocado à frente da Tenda do Encontro (onde ficavam o candelabro com seis braços, a mesa com os pães para os sacerdotes, e a arca da aliança), o sumo-sacerdote colocaria as duas mãos sobre a cabeça do bode, pronunciaria (confessaria) os pecados de Israel, que seriam colocados sobre o bode, que então seria enviado para o deserto, uma área não habitada.

Em seguida, o sumo-sacerdote deveria tomar outro banho, tirar as roupas sagradas, colocar as suas próprias roupas e então sacrificar os holocaustos (carneiros) por si e pelo povo, encerrando o ritual. Este dia também seria um sábado ao Senhor, portanto nenhum trabalho deveria ser feito.

Embora a maior parte do ritual é explicado de forma clara, existe um ponto obscuro: quem ou o que é “Azazel”? Infelizmente não há nenhuma evidência que sustente de forma concreta qualquer das definições existentes. Ou seja, tudo o que temos são teorias não provadas. Provavelmente este termo não é explicado porque era bastante conhecido entre os israelitas e que provavelmente era algo específico do Dia da Expiação.

Existem três teorias principais para o significado de “Azazel”:

  1. É um termo que descreve o conceito de remoção, que poderia ser traduzido como “bode expiatório”, “bode que vai embora”, “bode para liberação”, “despedida”, “remoção completa”, etc.
  2. É um nome próprio, sinônimo dos poderes do mal para os quais o bode iria. A designação do lugar para onde o bode iria.
  3. É o nome de um demônio do deserto. Os defensores desta teoria afirmam que isso não significa que os Israelitas faziam sacrifícios à demônios por ordem de Deus, o que seria uma contradição (Levíticos 17:7), mas que a referência ao demônio simplesmente mostraria para onde os pecados deles iriam, o que aproxima esta teoria da segunda. Alguns textos usados para mostrar que havia uma crença de que demônios parecidos com bodes habitavam o deserto são Isaias 13:21 e 34:14. No livro de Enoque, Azazel é o termo usado para designar o chefe dos anjos caídos, sendo sinônimo de Satanás.

Embora haja diferenças entre as teorias, as três parecem estar de acordo com o significado deste ritual para o povo de Israel: Que naquele momento, pelo sacrifício do primeiro bode, seu sangue derramado, suas partes queimadas, junto com os sacrifícios dos carneiros, seus pecados foram retirados e colocados sobre o segundo bode, que os levaria para bem longe do seu meio (Salmos 103:12 faz referência a este acontecimento). Este dia era, portanto, considerado a festividade e cerimônia mais importante do povo de Deus.

Referências:

BUTTRICK, G. A. The Interpreter’s Dictionary of the Bible. Vol 1. New York, Nashville: Abingdon Press, 1962.

HARRISON, R. K. Levítico: introdução e comentário. São Paulo: Sociedade Religiosa Editora Vida Nova e Associação Religiosa Mundo Cristão, 1989.

KNIGHT, G. A. F. Leviticus. The Saint Andrew Press and The Westminster Press, 1981.

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