Urim e Tumim

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Por: Paulo Henrique Hack de Jesus

Texto base: Êxodo 28:1-43

A descrição de como deveriam ser as roupas dos sacerdotes se encontra em Êxodo 28. O texto descreve uma estola sacerdotal com duas ombreiras, bordado de ouro, feito com as cores do tabernáculo (azul, púrpura e carmesim) e de linho fino, juntamente com um cinto, feito da mesma maneira. Nas ombreiras da estola deveriam ser colocadas duas pedras de ônix com os nomes das 12 tribos, sendo 6 nomes em cada, com detalhes em ouro. Um peitoral, feito dos mesmos materiais que a estola, quadrado e duplo (como uma bolsa), onde doze pedras preciosas diferentes seriam colocadas, em 4 fileiras (gostaria de incluir uma figura aqui, mas não consegui achar nenhuma boa o bastante). Em cada pedra seria gravado um dos 12 nomes das tribos de Israel. No peitoral ainda seriam colocadas correntes trançadas como um cordão, feitas de ouro puro, que ligavam o peitoral na estola sacerdotal. O texto diz: “Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel sobre o coração quando entrar no santuário…”. Além disso, neste peitoral, também chamado de peitoral do juízo ou do julgamento, seriam colocados o Urim e Tumim (na “bolsa”), para que Arão levasse sempre sobre o coração o julgamento do povo de Israel perante Deus.

O texto segue descrevendo uma túnica, um turbante, um cinto e um calção. Embora hajam detalhes sobre o material e como deveriam ser feitos, estes não são o bastante para recriarmos (de forma conceitual ou não) qualquer destes itens. Por exemplo, não se sabe exatamente se a estola seria como um colete ou como um avental. Um ponto curioso e pouco divulgado/conhecido (o possível motivo será abordado mais a frente) são o Urim e Tumim, que ficavam no peitoral do juízo.

Outras referências a estes objetos são encontradas em Levítico 8:8, Deuteronômio 33:8, Esdras 2:63, Neemias 7:65, 1 Samuel 14:41, Números 27:21 e 1 Samuel 28:6.

Quanto ao significado dos nomes, não existem definições consistentes ou concretas, ou seja, nenhum conhecimento válido sobre os termos sobreviveu. Alguns dos significados atribuídos são “luzes” e “perfeição”, que acredita-se ser uma referência à vontade perfeita de Deus que era revalada através destes objetos. O uso do artigo definido em algumas passagens e em outras não podem indicar que os termos não se referem à substantivos próprios.

Quanto à sua natureza, também pouco é conhecido, provavelmente, porque o autor não achou necessário descrevê-la, por ser amplamente conhecida (possivelmente vindo desde o tempo dos patriarcas). Acredita-se que eram 2 pedras (talvez) preciosas.

Urim e Tumim eram um dos meios usados para tomarem conhecimento da vontade de Deus (1 Samuel 28:6 e 15), de forma a obterem respostas ternárias, como sim e não, um ou outro, podendo também haver uma resposta inconclusiva, como sugerem os textos 1 Samuel 14 e 28. O ritual em si, de como eram usadas, da mesma forma, não foi explicado e não é indentificável pelas referências existentes. Alguns acreditam que eram duas pedras, onde cada uma possuia Urim e Tumim escritos em cada uma de suas 2 faces, e que ao serem atiradas, caso dessem 2 vezes Urim seria uma resposta negativa, caso desse 2 vezes Tumim seria positiva, e caso desse 1 de cada, seria uma “não-resposta” de Deus. Há ainda os que pensam se tratar de várias pedras com todas as letras do alfabeto hebráico ou ainda que funcionavam através da reflexão de alguma fonte de luz.

Com o passar do tempo a ênfase nos textos bíblicos foram para as palavras de Deus através dos profetas e que, além disso, Urim e Tumim não era acessível a todos (pelo número de pessoas em Israel e pela distância) e pode ter se tornado não confiável com o exercício de sacerdotes corruptos, como os filhos de Eli (1 Samuel 2). Ainda mais, o éfode (estola sacerdotal) ainda estava com Davi quando Saul marchou para sua morte em Gilboa, então como Saul poderia ter consultado Urim e Tumim (1 Samuel 30:7, 28:6)? É provável que houvessem sido feito cópias dos objetos originais, talvez por desejo do próprio Saul ou talvez antes dele, na divisão das terras. Então Davi possuiria uma cópia (ou original) trazida, possivelmente por Abiatar, filho do sacerdote Aimeleque, morto por ordens de Saul (1 Samuel 22 e 23).

Não há registros bibílicos do seu uso após o retorno do exílio babilônico, mas é provável que os sacerdotes continuaram fazendo uso destes objetos oraculares. A prática de “lançar sortes” após a oração para obter orientação aparece tambem no Novo Testamento em Atos 1:26, na escolha de Matias para entrar no lugar deixado por Judas (o traidor) como apóstolo de Cristo.

Alguns estudiosos e rabinos afirmam que o conhecimento da palavra, da lei, eram mais importantes ou suficientes para trazer iluminação quanto à vontade divina. Por este motivo, pelas divergências na própria tradição judáica e de que nenhuma tradução conseguiu ser clara o bastante, é sugerido que pouca consideração deve ser dada a estes conceitos. Em complemento disso, é provável que estes objetos foram concedidos por Deus no tempo da infância espiritual de Israel, pois naquele momento era melhor que descobrissem de forma direta a vontade de Deus ao invés de que o mais maduro espiritualmente desse sua aprovação. Pode-se observar que nunca é sugerido que Moisés tenha feito uso deles. Talvez por isso, que haja tão pouca informação sobre Urim e Tumim. Hoje temos o Espírito Santo, que nos dá o discernimento para visualizarmos qual é a vontade de Deus por meio do entendimento da palavra e do evangelho de Deus/Cristo.

Referências:

TENNEY, M. C.; BARABAS, S. Enciclopédia da Bíblia. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Vol. 5, 2008.

COLE, R. A. Êxodo: introdução e comentário. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova e Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1986.

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